top of page

Due diligence de propriedade intelectual: 8 verificações antes de uma transação

há 9 minutos
5 min de leitura

O que revisar em marcas, patentes, software, contratos e conflitos antes de investir, comprar, vender ou captar


Em uma transação, é comum receber uma planilha com processos, softwares, domínios e declarações de titularidade. A relação ajuda, mas não responde ao que importa: o ativo pertence à empresa, continua válido e pode ser transferido ou explorado como esperado?


A due diligence de propriedade intelectual testa essas respostas antes que vulnerabilidades afetem o preço, as garantias ou o fechamento. Um certificado não mostra se a marca está no nome correto, se o software foi contratado com segurança ou se existem royalties e conflitos pendentes.


A análise depende do negócio. Em tecnologia, código-fonte, contratos e licenças podem concentrar o risco. Em uma rede de consumo, marca, apresentação dos produtos e expansão territorial podem ter mais peso. O roteiro deve acompanhar a operação.


Quando fazer uma due diligence de PI


A análise é comum em fusões, aquisições, aportes, joint ventures, licenciamento e venda de ativos. Também pode ser feita antes de captar ou negociar, para corrigir lacunas antes que a outra parte as encontre.


Quanto mais cedo começa, maior a chance de regularizar contratos, titularidades e documentos. Perto do fechamento, o mesmo problema pode exigir retenção de preço, condição precedente ou revisão da operação.


1. Titularidade dos registros


A primeira pergunta é simples: em nome de quem estão os ativos? Na prática, é comum encontrar marcas e outros direitos em nome dos sócios, de empresas parceiras, de filiais ou de outra sociedade do grupo, e não da empresa que aparece na transação.


Mudanças de razão social, incorporações, cessões e reorganizações também podem não ter sido anotadas. O nome no certificado precisa conversar com a realidade societária, com os contratos e com quem efetivamente explora o ativo.


Essa divergência pode dificultar transferência, licenciamento e defesa. A diligência deve mostrar qual documento comprova a cadeia de titularidade e o que precisa ser regularizado.


2. Abrangência territorial


A segunda verificação é territorial. A empresa atua ou pretende atuar em países nos quais suas marcas, patentes ou desenhos não estão protegidos? Depende de distribuidores locais? Existe algum pedido anterior que possa limitar a expansão?


Ter um registro no Brasil não garante proteção automática em outros mercados. Quando a tese da transação depende de crescimento internacional, a cobertura precisa acompanhar os países relevantes e o cronograma de entrada.


A ausência de proteção pode exigir novo nome, negociação, aquisição de direitos ou mudança de estratégia. Território não é detalhe em uma operação baseada em expansão.


3. Contratos de trabalho e prestação de serviços


Empregados, sócios, agências, freelancers e prestadores podem ter criado software, identidade visual, conteúdo, desenho ou know-how. A diligência precisa verificar o que os contratos dizem sobre autoria, titularidade, cessão, confidencialidade e entrega de arquivos ou código-fonte.


Em tecnologia, a atenção aumenta quando desenvolvedores atuam como pessoa jurídica. A contratação pode revelar riscos trabalhistas a serem avaliados pela área competente. Na PI, é essencial saber quem controla o código e em quais condições.


Se a empresa não consegue demonstrar como adquiriu ou licenciou os direitos, pode enfrentar limites de uso, exclusividade, transferência ou defesa justamente no momento em que precisa comprovar valor.


4. Licenças, acordos e royalties


Também é preciso mapear o que a empresa licencia de terceiros e o que ela licencia para clientes, parceiros ou distribuidores. O contrato deve ser comparado com o uso real do ativo, porque uma licença válida pode ser insuficiente para determinado produto, território ou canal.


A revisão observa prazo, exclusividade, território, sublicença, cessão, mudança de controle e término. Uma cláusula pode exigir consentimento para a transação ou permitir rescisão, afetando o fechamento.


Royalties merecem conferência dos dois lados: valores que a empresa tem a receber e pagamentos que ainda deve fazer. Pendências, critérios pouco claros ou contratos vencidos podem alterar a avaliação econômica do ativo.


5. Contencioso, litígios e monitoramento


A diligência deve levantar processos, oposições, pedidos de nulidade, notificações, acordos e outros conflitos de PI. Não basta listar o caso; é necessário entender risco, impacto e relação com os ativos centrais.


Também importa saber se terceiros usam a marca ou outros ativos sem autorização. Como a Vanessa costuma reforçar, não basta ter o registro se a empresa não cuida dele. Um certificado sem monitoramento não impede que o ativo se fragilize no mercado.


Por isso, vale verificar quando foi feita a última busca, quem acompanha novos pedidos e como a empresa reage a usos indevidos. A ausência de gestão pode esconder conflitos ainda não formalizados.


6. Segredos comerciais e confidencialidade


Nem todo ativo estratégico será registrado. Fórmulas, métodos, listas, dados, processos e conhecimentos internos podem depender de uma estratégia de segredo de negócio, com acesso limitado e deveres de confidencialidade.


A pergunta é prática: a informação tratada como secreta é realmente mantida em sigilo? Existem contratos, classificação, controle de acesso, treinamento e registro das pessoas que tiveram contato com ela?


Sem essa gestão, a empresa pode chamar algo de confidencial sem demonstrar como o protege. Em uma transação, essa fragilidade precisa aparecer.


7. Uso e desenvolvimento de softwares


No software, a análise alcança tanto as ferramentas usadas internamente quanto os produtos desenvolvidos e entregues a clientes. É preciso saber quem criou o código, quem pode acessá-lo, se houve cessão e quais obrigações continuam válidas.


Componentes de código aberto e outras licenças de terceiros também devem ser mapeados. Dependendo das condições, podem existir restrições de distribuição, exigências de divulgação ou incompatibilidades com o modelo comercial.


8. Validade e força dos ativos


Por fim, a due diligence confere se registros e pedidos continuam válidos e qual é a força real de cada ativo. Taxas, anuidades, renovações, exigências, prazos de caducidade e possibilidades de nulidade precisam ser verificados em bases oficiais.


Um registro não é invulnerável. Uso, escopo, histórico e prazos abertos podem mudar a leitura de risco. É preciso separar o que está confirmado do que depende de providência ou acompanhamento.


Essa verificação permite saber o que a empresa realmente possui, quais riscos aceita e que medidas devem entrar no plano de correção ou integração após a transação.


Red flags que merecem atenção


  • Ativo relevante em nome de sócio, parceiro, filial ou empresa do grupo sem instrumento claro.

  • Software criado por empregado ou prestador sem cláusulas suficientes sobre código e titularidade.

  • Marca usada ou expansão planejada em país sem cobertura ou busca adequada.

  • Prazos, renovações, caducidade ou nulidade sem responsável e acompanhamento.

  • Licença com restrição de mudança de controle, cessão ou sublicença.

  • Royalties a pagar ou receber sem documentação e conciliação.

  • Segredo de negócio sem controle de acesso e confidencialidade verificável.

  • Uso indevido de ativos sem monitoramento ou estratégia de resposta.


Da lista de ativos à decisão de negócio


A due diligence não transforma risco em certeza absoluta. Ela organiza documentos, testa declarações e mostra onde a empresa está protegida, vulnerável ou dependente de terceiros.


Uma boa análise deixa claro o que foi verificado, quais dúvidas permanecem, que prazos ainda podem colocar o ativo em risco e como cada achado afeta a transação. A gestão precisa continuar ativa mesmo depois do registro e do fechamento.


Se a empresa prepara uma captação, compra, venda ou investimento, a Cone Sul pode estruturar o escopo da diligência, revisar os ativos e contratos e transformar os achados em um plano de regularização e acompanhamento.


Metadados de publicação

Palavra-chave principal

due diligence de propriedade intelectual

Secundárias

auditoria de marcas e patentes; ativos intangíveis em M&A; titularidade de marca

Fontes consultadas

Fontes técnicas e dados externos foram verificados em páginas oficiais. A aplicação jurídica depende do caso concreto.


 
 
 

Comentários


bottom of page