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Copa do Mundo 2026 e expansão internacional: os riscos de não proteger sua marca em outros países

  • há 2 dias
  • 5 min de leitura

Empresas que planejam crescer costumam dedicar atenção a investimentos, marketing, logística, expansão comercial e abertura de novos mercados. No entanto, existe um ativo que frequentemente fica fora desse planejamento: a marca.


Quando falamos sobre propriedade intelectual, é comum que o debate fique restrito à proteção contra cópias ou ao uso indevido por terceiros. Embora esses riscos existam, há uma questão igualmente importante para empresas que pretendem crescer além das fronteiras nacionais: garantir que sua própria marca esteja protegida nos países onde desejam atuar.


Mais do que uma questão jurídica, essa é uma decisão estratégica capaz de influenciar investimentos, posicionamento de mercado e a própria viabilidade da expansão internacional.


A proteção de marcas é territorial


Um dos conceitos mais importantes da propriedade intelectual é o princípio da territorialidade.


Na prática, isso significa que o registro de uma marca produz efeitos apenas no território onde ele foi concedido. Se uma empresa registra sua marca no Brasil, ela obtém proteção perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), dentro dos limites da legislação brasileira.


Entretanto, essa proteção não se estende automaticamente para outros países.

Muitos empresários acreditam que possuir uma marca registrada no Brasil garante exclusividade global sobre aquele nome ou identidade visual. Essa é uma percepção bastante comum, mas equivocada. Cada país possui seu próprio sistema de proteção marcária e suas próprias regras para reconhecimento de direitos.


Isso significa que uma marca regularmente registrada no Brasil pode não estar disponível em outros mercados.


Dependendo da situação, pode existir uma marca idêntica ou semelhante já registrada por terceiros no mesmo segmento de atuação em determinado país. Quando isso acontece, o titular local pode impedir o uso daquela marca naquele território.


Para empresas que possuem planos de expansão internacional, esse é um risco que merece atenção desde as fases iniciais do planejamento.


A marca também faz parte do planejamento de expansão


É comum que empresários associem a internacionalização a decisões como abertura de operações, estrutura logística, distribuição, marketing e adaptação de produtos para novos mercados. No entanto, existe um aspecto que muitas vezes recebe menos atenção do que deveria: a disponibilidade da própria marca nos países onde a empresa pretende atuar.


Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, o registro de marca não é obrigatório para iniciar uma atividade empresarial. Por essa razão, inúmeras empresas desenvolvem suas operações, conquistam clientes, constroem reputação e investem durante anos na consolidação da sua identidade sem verificar se aquele mesmo nome poderá ser utilizado em outros mercados quando chegar o momento de expandir.


Enquanto a atuação permanece concentrada em um único país, essa situação pode não gerar impactos imediatos. O problema aparece justamente quando a empresa decide crescer.


Imagine uma organização que investiu durante anos na construção da sua marca. Ela já possui reconhecimento junto aos clientes, presença digital consolidada e um posicionamento bem definido. Ao iniciar um processo de internacionalização, descobre que aquele nome já pertence a outra empresa no país onde pretende atuar.


Dependendo da situação, poderá ser impedida de utilizar sua própria marca naquele território. Isso pode exigir mudanças na identidade visual, reformulação de materiais promocionais, adaptação da comunicação e, em casos mais complexos, até a criação de uma nova marca para operar naquele mercado. Além dos custos financeiros, existe um impacto difícil de mensurar: parte da reputação construída ao longo dos anos deixa de acompanhar a empresa justamente no momento em que ela pretende crescer.


É por isso que a propriedade intelectual não deve ser vista apenas como um mecanismo de proteção contra cópias ou infrações. Sob uma perspectiva estratégica, ela também funciona como uma ferramenta de expansão. Empresas que estruturam seu crescimento de forma consistente costumam avaliar previamente a disponibilidade de suas marcas nos mercados de interesse, identificando riscos antes da realização de investimentos relevantes. Essa análise oferece maior segurança para negociações comerciais, reduz a possibilidade de conflitos futuros e fortalece um dos ativos mais importantes do negócio.


À medida que as empresas ampliam sua atuação para além das fronteiras nacionais, a marca deixa de ser apenas um elemento de identificação e passa a exercer um papel decisivo na estratégia de crescimento. Por isso, a análise da disponibilidade da marca deve fazer parte das primeiras etapas de qualquer projeto de internacionalização, e não apenas quando a expansão já está em andamento.


A Copa do Mundo de 2026 mostra por que esse planejamento é indispensável


A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, representa muito mais do que um dos maiores eventos esportivos do mundo. Para empresas de diversos segmentos, ela também cria oportunidades concretas de internacionalização, seja por meio de novos mercados, parcerias comerciais, fortalecimento da presença digital ou ampliação das operações em outros países.


Negócios ligados ao turismo, alimentação, tecnologia, entretenimento, comércio eletrônico, licenciamento e produtos promocionais, entre outros, tendem a aproveitar a visibilidade e o aumento da demanda gerados por um evento dessa dimensão para acelerar seus projetos de crescimento.


O desafio é que oportunidades globais exigem planejamento global. Não basta desenvolver produtos competitivos, estruturar canais de distribuição, investir em campanhas internacionais ou estabelecer novas parcerias comerciais. É necessário garantir que a marca que sustenta todo esse esforço possa ser utilizada de forma segura nos mercados onde a empresa pretende atuar.


Quando essa análise é deixada para um segundo momento, o risco é descobrir que a marca já pertence a outra organização justamente quando o projeto de expansão está em andamento. Nessa fase, além dos custos relacionados à eventual necessidade de alterar a identidade da empresa naquele mercado, existe um impacto importante sobre a reputação construída ao longo dos anos, que pode não acompanhar a empresa em sua entrada naquele país.


A principal lição deixada por um evento dessa magnitude é que a proteção marcária deve caminhar lado a lado com a estratégia de crescimento. Antes de direcionar investimentos para novos mercados ou aproveitar oportunidades internacionais, é fundamental verificar a disponibilidade da marca e definir uma estratégia de proteção compatível com os objetivos do negócio.


No fim das contas, proteger uma marca não significa apenas evitar problemas jurídicos. Significa preservar investimentos, fortalecer um patrimônio construído ao longo do tempo e criar condições para que a expansão internacional aconteça de forma segura e sustentável.


Perguntas frequentes sobre proteção de marcas em outros países


O registro da minha marca no Brasil vale para outros países?


Não. O registro de marca possui caráter territorial. Isso significa que a proteção concedida no Brasil é válida apenas em território brasileiro.


Posso usar minha marca em outro país mesmo sem registro?


Em alguns casos, sim. Porém, isso não garante segurança jurídica. Se já existir uma marca semelhante ou idêntica registrada naquele território, podem surgir impedimentos para sua utilização.


Como saber se minha marca está disponível em outro país?


É necessário realizar pesquisas específicas nos bancos de dados dos órgãos responsáveis pela propriedade intelectual dos países de interesse.


O que acontece se já existir uma marca igual à minha em outro mercado?


Dependendo da situação e do segmento de atuação, o titular daquela marca poderá impedir o uso do nome ou da identidade visual naquele território.


Quando devo pensar na proteção internacional da marca?


Idealmente, antes de iniciar processos de expansão, internacionalização ou investimentos relevantes em novos mercados.


A Copa do Mundo de 2026 pode gerar oportunidades para expansão internacional?


Sim. Grandes eventos costumam ampliar oportunidades comerciais, parcerias e visibilidade para empresas que desejam atuar em outros países.


Quais são os riscos de não verificar a disponibilidade da marca antes da expansão?


Os riscos incluem impedimento de uso da marca, necessidade de rebranding, perda de investimentos em marketing, atrasos na expansão e conflitos com titulares de direitos já existentes.


O registro internacional de marca existe?


Existem mecanismos que facilitam pedidos de proteção em múltiplos países, mas a análise e a concessão continuam ocorrendo de acordo com as regras de cada território.


Por que a propriedade intelectual deve fazer parte da estratégia de crescimento?


Porque ela influencia diretamente a capacidade da empresa de expandir operações, proteger investimentos, fortalecer sua reputação e atuar com segurança em novos mercados.


 
 
 
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