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A proteção do intangível como o novo pilar da competitividade empresarial

A proteção do intangível como o novo pilar da competitividade empresarial

por Dra. Vanessa Albuquerque

Há alguns anos, quando falávamos em competitividade empresarial, a atenção estava muito voltada para fatores como preço, logística e capacidade produtiva. Claro, esses elementos continuam sendo importantes, mas hoje existe um novo componente que se tornou decisivo: a proteção do intangível. Os ativos que não são físicos, mas que representam valor real, têm sido cada vez mais determinantes para diferenciar empresas e garantir espaços de mercado.

Quando menciono intangível, estou falando de marca, tecnologia, design, softwares, know-how, processos internos e todas as criações que nascem dentro das empresas e que carregam essência própria. São esses elementos que constroem a identidade e que fazem um negócio ser reconhecido e desejado. E é justamente esse patrimônio que não pode ficar desprotegido.

A marca, por exemplo, é muitas vezes o primeiro contato que o consumidor tem com a empresa. É ela que comunica, que cria confiança, que gera lembrança. Mas se não estiver registrada, ela não é juridicamente da empresa que a utiliza. A proteção do intangível começa pela marca, porque ela é o alicerce da reputação. Sem registro, qualquer concorrente pode usar algo parecido e confundir o mercado.

Outro ponto central é a inovação técnica. Empresas que desenvolvem soluções próprias, equipamentos, métodos, funcionalidades ou melhorias precisam enxergar isso como um ativo estratégico. Patentes e modelos de utilidade existem justamente para garantir que essas inovações tenham exclusividade por um período, incentivando novos investimentos e permitindo que o negócio explore comercialmente aquilo que criou. Essa exclusividade é um pilar competitivo. Sem ela, tudo se abre para imitação.

A proteção do design também faz parte desse contexto. Uma embalagem diferenciada, um visual que se destaca na prateleira, uma estética que o consumidor reconhece de longe. Tudo isso é patrimônio intangível que pode ser registrado como desenho industrial. E quando isso não é feito, o mercado passa a usar livremente elementos que deveriam ser exclusivos. A competitividade fica comprometida, porque o diferencial visual deixa de ser uma vantagem real.

Outro aspecto muito importante é o sigilo. Muitas empresas acreditam que apenas o registro formal importa, mas o sigilo prévio é tão essencial quanto. Antes de apresentar uma ideia, funcionalidade ou nova solução a parceiros, é necessário estabelecer instrumentos de confidencialidade. O que ainda não foi registrado precisa ser resguardado, porque é nesse momento que o risco de perda da novidade se torna maior. Quando o sigilo é quebrado, não há como recuperar a possibilidade de registro. Isso elimina um pilar que poderia reforçar a competitividade da empresa.

O intangível também se relaciona com a cultura interna. Quando uma empresa entende que suas criações têm valor, ela passa a estruturar processos mais cuidadosos, registra antes de divulgar, documenta corretamente e mantém organização estratégica. Essa postura fortalece contratos, facilita parcerias, aumenta credibilidade e reduz riscos. Muitas vezes, é o que diferencia uma empresa estável de uma empresa vulnerável.

Competitividade empresarial hoje não é mais apenas sobre vender bem. É sobre proteger bem. É sobre entender que, em um mercado saturado, qualquer vantagem pode ser rapidamente copiada se não estiver juridicamente amparada. E quando o negócio perde aquilo que o diferencia, perde também espaço no mercado.

Por isso, quando falamos em novo pilar de competitividade, estamos falando exatamente da proteção do intangível. As empresas que compreendem isso conseguem crescer com mais segurança, estabelecem fronteiras claras para concorrentes e elevam o valor de seus ativos de maneira contínua. A proteção não é apenas uma etapa jurídica. Ela é parte da estratégia de evolução do negócio.

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