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As empresas ainda subestimam o valor da Propriedade Intelectual, e isso precisa mudar.

As empresas ainda subestimam o valor da Propriedade Intelectual, e isso precisa mudar.

por Dra. Vanessa Albuquerque

Quando eu observo a rotina das empresas, tanto as pequenas quanto as de médio porte, fica muito claro que muitas ainda subestimam o valor da Propriedade Intelectual. É como se fosse um assunto distante, algo que só grandes corporações precisam cuidar. E isso é um erro que tem custado caro. A PI não é um detalhe administrativo. Ela é um patrimônio, é a identidade da empresa, é a segurança do que foi construído com tempo e investimento. Ignorar isso significa abrir mão de uma proteção que é essencial para qualquer negócio que queira se manter competitivo.

A marca, por exemplo, costuma ser o ativo mais presente no dia a dia das pessoas. Ela está nas embalagens, nos uniformes, nos anúncios, na fachada. Mas, ao mesmo tempo, vejo muitos empresários utilizando marcas sem registro, como se isso não representasse risco. O problema é que quando não existe registro, não existe exclusividade. E sem exclusividade, a empresa fica completamente vulnerável. Se alguém registra antes, mesmo sem ter criado, é essa pessoa que passa a ter o direito. Isso não é teoria. Isso acontece de verdade e gera prejuízos enormes.

Outro ponto que ainda é muito subestimado são as criações técnicas. Empresas inovam todos os dias, muitas vezes sem perceber que criaram algo que poderia ser protegido por patente ou por modelo de utilidade. E quando essa inovação não é protegida, ela se torna fácil de copiar. O concorrente observa, reproduz e passa a oferecer o mesmo produto sem nenhum investimento na criação. A empresa que inovou perde diferencial e, muitas vezes, perde mercado. E é importante lembrar que patente exige novidade. Se a empresa divulga ou coloca no mercado antes de depositar o pedido, ela perde a chance de obter proteção.

A mesma lógica vale para o desenho industrial. O design de uma embalagem, o formato ornamental de um produto, a estética que diferencia a marca no ponto de venda. Tudo isso pode e deve ser protegido. Só que muitas empresas não sabem disso e acabam investindo em design sem proteger, criando uma brecha que permite que terceiros reproduzam a aparência. É um prejuízo silencioso, porque o empresário só percebe quando a cópia já está no mercado.

Vejo também muitos riscos nas relações comerciais. Empresas apresentam ideias, protótipos e funcionalidades para fornecedores ou parceiros sem qualquer instrumento de sigilo. Sem NDA. Muitas vezes sem um simples aviso de confidencialidade. Isso é muito perigoso. A inovação que nasceu dentro da empresa pode ser exposta sem controle e, a partir desse momento, ela perde o requisito da novidade. Não importa se houve má-fé ou não. Basta a divulgação. E quando isso acontece, a empresa perde a oportunidade de transformar aquela inovação em ativo protegido.

O que precisa mudar é a forma como a Propriedade Intelectual é enxergada. Não é um custo. Não é um obstáculo. É um investimento estratégico, é parte do planejamento de crescimento, é uma das proteções mais importantes para a longevidade de um negócio. Hoje, quem quer ser competitivo precisa entender que o valor de uma empresa não está apenas no que ela vende, mas no que ela constrói e registra. São os ativos intangíveis que criam barreiras de mercado, geram autoridade e diferenciam de forma concreta.

Eu sempre repito que a Propriedade Intelectual está em tudo. Nós convivemos com ela o tempo todo, mesmo sem perceber. E as empresas precisam aprender a dar a esse patrimônio o valor que ele realmente tem. Porque deixar de proteger é deixar espaço para que terceiros se apropriem de algo que surgiu da criatividade, do esforço e da dedicação interna. Quando uma empresa passa a entender isso, ela muda a forma como se posiciona e passa a ter mais segurança para crescer.

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