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Como marca, embalagem e posicionamento transformam produtos comuns em ativos de alto valor

Como marca, embalagem e posicionamento transformam produtos comuns em ativos de alto valor

À primeira vista, água é um dos produtos mais simples que existem. Trata-se de um recurso essencial, amplamente disponível e, em muitos contextos, percebido como uma commodity. Ainda assim, algumas marcas conseguem se posicionar em um patamar completamente diferente, transformando esse mesmo produto em algo associado à exclusividade, design e valor agregado.

Antes de avançar, vale destacar que ao final deste artigo há uma seção de perguntas e respostas objetivas, pensada para quem busca uma compreensão mais rápida do tema.

O exemplo da Voss é particularmente ilustrativo. A proposta da marca não se apoia em uma inovação radical no produto em si. A água continua sendo água. O que muda é a forma como esse produto é apresentado, percebido e protegido.

Esse tipo de construção não é acidental. Existe uma combinação clara entre marca, embalagem e posicionamento, elementos que, quando bem estruturados, deslocam um produto comum para a categoria de ativo de alto valor.

Produto comum, percepção extraordinária

Do ponto de vista técnico, produtos como água engarrafada possuem baixa diferenciação intrínseca. A matéria-prima é similar e, muitas vezes, o processo produtivo também.

O diferencial, portanto, não está no produto em si, mas na forma como ele é apresentado ao mercado.

A Voss construiu sua percepção a partir de três pilares bastante claros. Um design minimalista, uma narrativa associada à pureza e uma presença consistente em ambientes que reforçam sofisticação, como hotéis e restaurantes de alto padrão.

Esse raciocínio não se limita ao produto. Quando olhamos para a Starbucks, fica ainda mais evidente como o valor pode ser deslocado para a experiência. O café, que também poderia ser tratado como uma commodity, passa a ser apenas um dos elementos dentro de uma proposta mais ampla. Ambiente, atendimento, personalização e consistência transformam o consumo em algo que vai além do produto.

Nos dois casos, o resultado é semelhante. O consumidor deixa de comparar apenas características funcionais e passa a avaliar o conjunto da experiência. É nesse momento que um produto comum deixa de competir por preço e passa a operar em uma lógica de valor percebido.

Marca como ativo jurídico e econômico

Quando falamos em marca, não estamos tratando apenas de um nome ou logotipo. Estamos tratando de um sinal distintivo que concentra reputação, confiança e expectativa de qualidade.

Do ponto de vista jurídico, essa construção só se sustenta de forma efetiva quando há proteção adequada perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

O registro de marca garante exclusividade dentro dos segmentos de atividade protegidos  e permite que o titular impeça o uso indevido por terceiros. Sem essa proteção, todo o investimento em posicionamento fica exposto.

Além disso, a marca registrada se consolida como ativo patrimonial. Ela pode ser licenciada, explorada economicamente e incorporada ao valor do negócio.

Embalagem também comunica e também se protege

Um dos aspectos mais interessantes no caso da Voss é a embalagem. A garrafa cilíndrica, transparente e minimalista não é apenas uma escolha estética. Ela cumpre função estratégica.

A embalagem comunica posicionamento antes mesmo do consumo. Ela sinaliza que aquele produto não compete por preço, mas por experiência.

Do ponto de vista jurídico, dependendo das características, a embalagem pode ser protegida como desenho industrial ou até mesmo como marca tridimensional, desde que atendidos os requisitos legais. E a escolha de qual proteção é a mais adequada envolve estratégia jurídica na defesa dos bens intangíveis.

No caso da Voss, há um movimento interessante nesse sentido. A marca, pertencente a uma empresa de origem norueguesa, já buscava, desde 2005, o registro de sua forma como marca tridimensional, evidenciando uma preocupação antecipada com a diferenciação por meio da embalagem.

Isso impede que concorrentes simplesmente reproduzam o mesmo formato e se beneficiem da percepção construída por terceiros.

Posicionamento não é discurso, é consistência

Outro ponto que merece atenção é o posicionamento. Não se trata apenas de comunicação publicitária, mas de coerência entre todos os pontos de contato com o consumidor.

Preço, canais de venda, ambientes de exposição e parcerias comerciais precisam estar alinhados com a proposta da marca.

No caso da Voss, a escolha de distribuição restrita e presença em locais específicos reforça a percepção de exclusividade. Isso afasta a marca da lógica de commodity.

Quando esse alinhamento não existe, a marca perde força. O discurso se torna desconectado da prática.

O que isso significa, na prática, para qualquer negócio

O exemplo da água engarrafada é apenas um recorte. Esse mesmo raciocínio se aplica a diversos setores.

Produtos comuns podem, sim, ser transformados em ativos de alto valor. Para isso, é necessário compreender que o valor não está apenas naquilo que se vende, mas na forma como isso é estruturado, apresentado e protegido.

Sem a marca, não há diferenciação sustentável. Sem proteção jurídica, não há segurança. Sem um posicionamento consistente, não há percepção de valor.

Ao observar com mais atenção, fica claro que o mercado não remunera apenas o produto. Ele remunera a construção que existe ao redor dele.

Marca, embalagem e posicionamento não são elementos acessórios. Eles são parte central da estratégia de valorização de qualquer negócio.

Ignorar esses aspectos é permanecer em uma disputa baseada exclusivamente em preço. Trabalhá-los de forma estruturada é abrir espaço para atuar em outro nível de mercado, onde o valor percebido supera o custo do produto em si.

Perguntas e respostas rápidas

Produtos comuns podem realmente se tornar premium?
Sim. Quando há construção consistente de marca, embalagem e posicionamento, o produto deixa de ser comparado apenas pela sua função básica.

A embalagem pode ser protegida juridicamente?
Sim. Dependendo do caso e da estratégia de proteção, pode ser registrada como desenho industrial ou até como marca tridimensional.

Por que registrar a marca é importante nesse contexto?
Porque garante exclusividade e protege todo o investimento feito na construção de valor.

O que é posicionamento, na prática?
É a forma como a marca se apresenta e se mantém coerente em todos os pontos de contato com o mercado.

Sem registro no INPI eu posso ter problemas?
Sim. Sem proteção no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, terceiros podem usar sinais semelhantes e enfraquecer sua marca.

Isso só vale para grandes empresas?
Não. Esse tipo de estratégia pode e deve ser aplicado desde negócios em estágio inicial.

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